Existe vida fora da Terra? Essa pergunta é feita desde que nós, humanos, tomamos conhecimento do lugar que ocupamos no Universo. 

Somos seres curiosos, despertados e motivados por perguntas sem respostas, e a existência de vida extraterrestre é uma delas. É intrigante pensar em um outro mundo nesse vasto Universo que está repleto de vida evoluindo e prosperando. Mas será que diante de tantas incertezas é possível desenvolver pesquisas científicas em cima desse tema?

A resposta é sim. Por mais que hoje não tenhamos nenhuma evidência ou um simples sinal da existência de vida extraterrestre, a verdade é que nas últimas décadas aumentaram consideravelmente os esforços nas buscas de sinais que possam indicar que não estamos sozinhos Por ser um tema em que a ciência tem muitas incertezas, nos vemos bombardeados de inúmeras informações que dificultam discernirmos o que é verdadeiro e o que não é. Bom, esse texto vai tirar algumas dúvidas a respeito das fake news sobre os famosos E.T.s.

Ciência x Ufologia

Com certeza você já ouviu algo sobre óvnis, homenzinhos verdes e até os reptilianos. Esses relatos de contato com outras “civilizações” nunca foram comprovados com evidências concretas e inquestionáveis. Essas afirmações sobre extraterrestres que supostamente visitam nosso planeta são tratadas pela ufologia, uma pseudociência que usa de argumentos às vezes científicos (de forma errônea), às vezes populares para afirmar que estamos sendo observados.

O que diferencia a pesquisa científica das afirmações da Ufologia é o método científico. Na ciência usamos de experimentos e observações que podem ser testadas e falseadas. Ou seja, se um cientista publica um trabalho de um determinado experimento, qualquer pessoa que quiser replicar esse trabalho deve chegar nos mesmos resultados do experimento original. Esse rigor garante que consigamos reunir o maior conjunto de verdades até o momento. Essas verdades não são absolutas, a ciência está em constante mudança, mas para isso, é preciso estudos com o mesmo rigor científico para comprová-las.

Essas verdades não são absolutas, a ciência está em constante mudança.

Agora que já esclarecemos que não temos evidências da existência dos homenzinhos verdes, podemos tratar de como a ciência lida com esse assunto tão misterioso. A busca de vida extraterrestre de forma científica é uma área de pesquisa da Astrobiologia. Essa ciência tem algumas premissas que embasam todos os estudos no ramo.

O que procurar?

Primeiramente precisamos definir o que procurar lá fora. Como já discutimos em outro texto (Afinal, o que é vida?), só conhecemos uma única forma de vida, a terrestre. Dessa forma, é mais fácil procurarmos por algo que conhecemos, já que sabemos identificar e como estudar. É por isso que hoje, buscamos por uma vida parecida com a nossa: que tenha um material genético que se replica, que possua um metabolismo, uma compartimentalização que a separe do meio externo e que sofra evolução darwiniana.

Temos inúmeros exemplos de vida no nosso planeta. Poderíamos procurar por grandes mamíferos, peixes, plantas ou até insetos e moluscos. Mas, o foco, hoje, é buscar por uma vida extraterrestre que seja semelhante aos procariontes (bactérias e arqueias). Isso porque esses organismos estão aqui na Terra há bilhões de anos e os organismos multicelulares, como os exemplos acima, há apenas alguns milhões. Ou seja, durante a história da Terra, a maior parte do tempo o planeta foi dominado apenas por seres procariontes. Portanto, podemos concluir que aqui no nosso planeta a multicelularidade demorou muito mais para surgir e evoluir, e pode ser que em outros planetas também.

As bactérias até hoje dominam o planeta, estão em todos os lugares, até mesmo os mais extremos que nem imaginamos que a vida possa estar presente. E como outros astros apresentam características bem extremas como altas ou baixas temperaturas, altas pressões ou ainda alta incidência de radiação, uma vida que se pareça com essas bactérias é mais provável do que um elefante, por exemplo.

Fotografia da Grand Prismatic Spring, umas das fontes de Yellowstone National Park nos EUA.
Grand Prismatic Spring – Yellowstone, EUA. Atração turística que está repleta de bactérias termofílicas (resistentes a altas temperaturas). Imagem autoral.

Onde procurar?

Legal, sabemos o que procuramos, mas quando olhamos para o tamanho do Universo vemos que precisamos reduzir o número de lugares que podemos procurar. Chegamos então na pergunta “Onde procurar?”. A NASA tem até um lema para isso: Siga a água! Procuramos vida em astros que tenham ou tiveram água em algum momento da sua história. Para a vida que conhecemos, a água é essencial e até onde sabemos, não existe vida sem água!

Até onde sabemos, não existe vida sem água!

Agora, como encontramos água em astros tão distantes de nós? Se estivermos buscando em astros do nosso Sistema Solar é mais fácil. Hoje conseguimos enviar sondas e robôs ou até mesmo seres humanos, como no caso da Lua. Agora, se quisermos procurar vida fora do nosso Sistema Solar, complica um pouco, porque qualquer exoplaneta próximo ainda é muito longe para enviar qualquer coisa. Então conseguimos informações apenas com telescópios, o que já é muito legal! Com isso, deduzimos muita coisa com as imagens obtidas, inclusive a possível presença de água no planeta.

Imagem da lua Europa em cores próximas as reais. Imagem capturada pelo orbitador Galileo em sua segunda órbita em torno de Júpiter.
Europa, lua de Júpiter. As pesquisas indicam fortes indícios de um oceano de água líquida localizado abaixo dessa espessa camada de gelo que engloba a lua. Crédito: NASA/JPL/DLR.

Como procurar?

As buscas de vida fora da Terra podem se basear em vida ainda existente ou até mesmo uma vida já extinta. Buscamos identificar assinaturas de uma vida que ainda ocupa o lugar ou mesmo que o ocupou no passado. Análises de solo, dos gases presentes na atmosfera, busca por pigmentos são algumas formas de se procurar vida em outros astros. Até mesmo fósseis podem ser foco quando falamos de vida já extinta. O planeta Marte é, hoje, um dos grandes focos de busca por vida fora da Terra. Diversas sondas e robôs já pousaram no solo marciano ou mesmo orbitam o planeta. Em julho de 2020 foi lançado o rover Perseverance que vai pousar em Marte e vasculhar se há sinais de uma vida já extinta na superfície do planeta (Perseverance: o que o novo rover da NASA vai fazer em Marte?).

Representação artística do rover Perseverance, da missão Mars 2020 da NASA. Animação mostra a retirada de tubos de amostras que poderão ser trazidas para a Terra em missões futuras de retorno.
Representação do rover Perseverance coletando amostras da superfície de Marte que serão trazidas de volta para a Terra para análise. Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Procurar por vida fora da Terra não é um trabalho fácil e nem com resultados imediatos, mas é uma área de pesquisa extremamente necessária. Além de fornecer novas tecnologias que podem ser aplicadas no nosso dia a dia, esse estudo busca a resposta para a pergunta que mais intriga a humanidade. Em um Universo tão grande, com incontáveis galáxias, estrelas e planetas, será que em nenhum desses astros a vida surgiu como aconteceu aqui?