No Brasil, a Astrobiologia começou a ser abordada diretamente com a publicação do livro “Introduction to Astrobiology” em 1958 pelo biólogo Flávio Augusto Pereira. Ainda em 1982, o professor Dr. Jorge A. Quillfeldt, do Departmento de Biofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi responsável pelo curso de extensão voltado à Astrobiologia promovido pela Sociedade Astronômica do Rio Grande do Sul (SARG), que daria origem mais tarde a uma das primeiras disciplinas de graduação voltada à Astrobiologia no país. Ainda em caráter histórico e de popularização do campo, na década de 90, o historiador Eduardo Dorneles Barcelos dedicou seu mestrado e doutorado à Exobiologia, antigo termo empregado para questões pertinentes à Astrobiologia. Foi apresentado o estado da arte da área em diversos países durante o século 20, e seu trabalho gerou o livro “Telegrams to Mars – The Scientific Search of Extraterrestrial Life and Intelligence” (Barcelos, 2001).

Tele

Em 2006, um esforço conjunto de especialistas de renome em diversas áreas deu origem ao primeiro Workshop Brasileiro de Astrobiologia (I BWA). Neste período, já acontecia no país, de forma isolada e independente, diversas pesquisas em temas de interesse para a Astrobiologia, mostrando o crescente interesse da comunidade científica pela área e o início de sua consolidação no país. Neste período também, foi cadastrado um banco de dados de grupo de pesquisa de pesquisadores e alunos no Conselho Nacional de desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sob o nome de Astrobio-Brasil, dando início a uma rede virtual de colaborações e sendo o primeiro passo para a formalização da área no país.

primeiro Workshop Brasileiro de Astrobiologia (I BWA)

Em 2009 houve a primeira mobilização entre pesquisadores brasileiros para a organização de um laboratório com facilities voltadas para a Astrobiologia, o AstroLab, sob coordenação do professor Dr. Eduardo Janot-Pacheco (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, IAG-USP), no Observatório Abrahão de Moraes em Valinhos, SP. Em 2010 a Universidade de São Paulo aprovou a criação do Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia (NAP-Astrobio), um  centro de pesquisas dedicado à Astrobiologia, um passo importante para a consolidação da rede virtual na área e fortalecimento das colaborações no Brasil e América Latina.

O Brasil, apesar de não possuir tradição nem financiamentos voltados à exploração espacial, possui uma Ciência e instituições de pesquisa capaz de fomentar a base para o conhecimento aplicável às missões internacionais, bem como foi capaz de tornar a Astrobiologia em seu território competitiva e de grande contribuição para a área no mundo todo. A Astrobiologia no país, apesar de recente em sua história, conta com diversos esforços individuais e de grupos de pesquisa na produção científica em seus variados temas de interesse, gerando desde produções acadêmicas a projetos de pesquisas mais abrangentes e de longa duração, em colaborações nacionais e internacionais. Isto mostra o seu potencial para despontar o país como um forte gerador de conhecimento direto e indireto para a Astrobiologia e todas as outras ciências nas quais ela é aplicável.

1958

Publicação do livro “Introduction of Astrobiology” (Pereira, 1958)  

1994

Fundação da Agência Espacial Brasileira (AEB)    

2001

Publicação do livro “Telegrams to Mars – The Scientific Search of Extraterrestrial Life and Intelligence” (Barcelos, 2001)      

2006

I Workshop Brasileiro de Astrobiologia (I BWA)    

2006

Criação do grupo de pesquisa Astrobio-Brasil no CNPq  

2009

Criação do Laboratório de Astrobiologia, AstroLab (IAG-USP)    

2010

Fundação do Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia, NAP – Astrobio (PRP-USP  

2011

Início formal das operações do AstroLab  

2013

Criação da Rede Brasileira de Astrobiologia  

2017

Criação da Sociedade Brasileira de Astrobiologia (SBAstrobio)  

2018

I reunião anual da SBAstrobio